O DIA 1 DE ABRIL
O dia 1 de Abril foi sempre considerado o “Dia da Mentira”.
Este conceito fez sempre parte da minha vida e da de todos os da minha idade.
Leváva-nos a ouvir a rádio, ver a TV – quando ela apareceu -, ler os jornais, especialmente os regionais, os da nossa cidade, para ver se conseguíamos descobrir “a mentira” que cada um introduzia nas suas notícias e artigos. Era como que uma disputa entre nós e eles. Era uma ânsia esperar pelo dia 2 de Abril para ver se tínhamos acertado na “mentira” publicada, porque elas eram reveladas no dia seguinte.
Baseavam-se numa “coisa boa” que toda a população desejava que acontecesse, pois em geral anunciavam algo de bom para todos e aludiam, por exemplo e quase sempre a uma obra pública que beneficiasse a população do País ou duma região.
Era algo que nos divertia, que nos preenchia o espírito com o desejo de acertar, de descobrir: era uma brincadeira inofensiva que nos alterava a rotina, que mexia com todos e era uma tradição que se ia passando de geração em geração.
Hoje-em-dia procuram desfazer-nos todas estas tradições, todos estes encantamentos de mudança de rotina, e muito em especial esta do “dia das Mentiras”, pois, presentemente, a todas as horas, somos bombardeados com mentiras.
E o pior da situação é que não são mentiras piedosas, são mentiras perigosas, são mentiras que mexem com a vida das pessoas, com o bem-estar de todos nós, graúdos e miúdos, com a nossa sobrevivência, com o nosso direito à vida, com o nosso direito à existência como seres humanos portadores de dignidade, de personalidade, de respeitabilidade e de conscienciabilidade.
Deixo aqui o pedido e um voto para que nos unamos e construamos uma contra-barreira para que estes pequenos grandes nadas de que é constituída a vida de um povo e as suas tradições não desapareçam.
Rosa dos Ventos
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